segunda-feira, 30 de setembro de 2013

A tecnologia que garante inclusão na vida e no esporte

A última moda na natação são os maiôs que, ao diminuírem o atrito com a água, melhoram o desempenho dos nadadores. Para o taekwondo foi criada uma tecnologia chamada de Speed Fight, que permite monitorar os movimentos do atleta durante os treinamentos, por meio de sensores instalados no colete. No vôlei, programas dão às comissões técnicas informações detalhadas, e em tempo real, sobre o comportamento dos atletas dentro da quadra. E exemplos semelhantes se multiplicam em todas as modalidades esportivas, mostrando a importância da união entre esporte e tecnologia.

Para aqueles que, mesmo sendo portadores de deficiência física, superam seus próprios limites nas pistas, piscinas e quadras, esta união é ainda mais importante. É fundamental! Sem ela, Vanderson Alves, amputado da perna esquerda, talvez não tivesse se tornado recordista Parapan-americano no Lançamento de Disco. “A tecnologia ajuda os atletas a terem maior eficiência e independência”, afirma Álvaro Guimarães de Almeida, designer e chefe da Divisão de Desenho Industrial do Instituto Nacional de Tecnologia (INT), órgão do Ministério da Ciência e Tecnologia.

Foi justamente esta divisão do INT que desenvolveu um equipamento para Vanderson utilizar nas competições. O projeto foi iniciado em 2007, ano dos Jogos Parapan-americanos do Rio de Janeiro. Embora não tenha sido utilizado nesta competição, passou a acompanhar o atleta nos treinos e está fazendo parte da preparação para a Paraolimpíada de Londres, em 2012. “Ele utilizava um equipamento tosco, improvisado, que parecia um tanque de guerra”, conta Álvaro. Ele e sua equipe estudaram a anatomia do atleta e o modo dele arremessar para criar um equipamento simplificado.

“Demos atenção também a fatores estéticos – o atleta portador de deficiência, como qualquer atleta, se preocupa com o visual, do uniforme aos equipamentos – e desenvolvemos uma mala para que ele possa transportar o equipamento com mais facilidade”, detalha Álvaro. Já pensando nas Paraolimpíadas, a mala tem espaço para o símbolo da delegação brasileira e para o nome do atleta. Afinal, as expectativas são muito boas, já que depois que começou a utilizar o equipamento desenvolvido pelo INT, Vanderson tem obtido índices melhores.

“O objetivo deste projeto é chamar a atenção do Comitê Paraolímpico Brasileiro (CPB) para a necessidade de um programa de desenvolvimento de equipamentos”, explica Álvaro. Segundo ele, o INT quer colocar à disposição do CPB o trabalho desenvolvido pela Divisão de Desenho Industrial. “Não somos especialistas nisso, mas temos muitos anos de experiência no trabalho com portadores de deficiência física, desenvolvendo equipamentos para serem utilizados tanto no esporte quanto na vida diária”, diz. Em 1986 o INT desenvolveu uma cadeira de corrida para a Paraolimpíada de Seul que ajudou o atleta que a utilizou a conquistar o segundo lugar na prova de 100m.

Tecnologia à vista no futebol

Outros exemplos de auxílio da tecnologia ao esporte se multiplicam em quadras, pistas e... Campos? Ainda não. Justamente o popular futebol ainda resiste em transformar a tecnologia no 12º jogador.

“No futebol, ainda existe a mentalidade de um jogo aleatório em que nada é mensurado”, confirma Nicolas Michel Bacic, economista, engenheiro de computação e diretor geral da MatchReport, empresa que desenvolve softwares e equipamentos capazes de fazer a mensuração de treinamentos e jogos. O que isso significa? Que é possível medir, por exemplo, o quanto um atleta corre, a que velocidade e, no caso do futebol, por que parte do campo. Outra possibilidade é captar, em tempo real, a movimentação do time e, desta forma, desenhar o panorama do jogo, ajudando tanto na definição de táticas quanto no trabalho de condicionamento físico dos atletas.

“É claro que a tecnologia não vai fazer com que um time vença um jogo, mas aumenta as probabilidades. Hoje, não tem como crescer no esporte se não usar tecnologia”, afirma Nicolas. Tanto que, ele mesmo conta, os clubes que apostam na tecnologia não se arrependem. “Quando começam a utilizar, descobrem coisas muito interessantes”, diz. Talvez por isso a resistência esteja diminuindo. “De dois anos para cá temos percebido uma mudança e acho que, assim como aconteceu com a preparação física e o aquecimento, que revolucionaram o futebol, ao poucos os clubes vão aderir à tecnologia”, prevê Nicolas.

fonte: conexaoaluno.rj.gov.br

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